amanoFF6

Não é novidade para ninguém o controverso projeto do Vale-Cultura, lançado pelo ministério tupiniquim da dita cultura e que visa fornecer aos trabalhadores R$ 50,00 mensais para gastar com livros, CDs, shows, entre outros. Menos novidade ainda são as declarações da ministra desta pasta, a dona Marta Suplicy, que apontou que entre os produtos que podem ser comprados com o vale não estão jogos de videogame, porque isso não é cultura.

SquareEnixMartaSuplicyNão é? Muita gente que tem o mínimo contato com este segmento tão rico, lucrativo e inovador que é o dos videogames discorda categoricamente da ministra. Tanto que mobilizam protestos e metem a boca no trombone sobre o assunto.

No meio disso tudo, a divisão na América Latina da desenvolvedora Square Enix (responsável por grandes franquias de games) enviou uma carta à ministra acompanhada pelo CD ‘Distant Worlds: Music from Final Fantasy’ e um livro com artes de Yoshitaka Amano, célebre ilustrador e responsável pelo visual dos primeiros Final Fantasy. A mensagem, por sua vez, falou tudo que precisava, sem cair na polêmica.

“À

Exmª. Sra. Ministra da Cultura Marta Suplicy:

Nós, da Square Enix América Latina, gostaríamos de presenteá-la com alguns itens de nossa criação para vosso conhecimento e apreciação dos mesmos.

O grupo Square Enix ostenta um amplo portfólio de propriedade intelectual, incluindo: Final Fantasy, que vendeu mais de 100 milhões de unidades pelo mundo, Dragon Quest, que vendeu mais de 58 milhões de unidades e Tomb Raider, que vendeu mais de 35 milhões de unidades mundialmente. Além disso, temos outros produtos bem conhecidos como: Deus EX, Hitman, Kingdom Hearts, e o clássico Space Invaders. O grupo Square Enix continua a expandir os limites da criatividade e inovação provendo produtos, serviços e conteúdos de alta qualidade de entretenimento e cultura.

O material que está recebendo contém primeiramente um CD chamado Distant Worlds: Music from Final Fantasy, que é um álbum com a gravação da música orquestral da série Final Fantasy. O álbum contém uma seleção de músicas dos jogos, compostas por Nobuo Uematsu, e performada pela Orquestra Filarmônica Real de Estocolmo. Foi gravado em agosto de 2007 no Stockholm Concert Hall, antecendendo a turnê de shows, que se iniciou em Estocolmo em 4 de dezembro de 2007 e que segue em turnê mundial atualmente, já passando por mais de 40 cidades ao redor do mundo.

Segue também um artbook feito por Yoshitaka Amano, com a arte de Final Fantasy baseada na cultura japonesa, chamado Japan. Yoshitaka Amano é um artista japonês renomado, conhecido por seu trabalho como ilustrador de personagens, e trabalhos com teatro e cinema japonês. Ele foi o responsável pela adaptação de Speed Racer para animação, sendo também o criador de personagens icônicos e influentes, como  Gatchaman, Tekkaman, Hutch the Honeybee e Casshan. Porém, um de seus trabalhos mais reconhecidos são suas ilustrações para a aclamada franquia de videogames Final Fantasy.

Esperamos que seja de vosso apreço o material que estamos enviando e ficamos à disposição para qualquer contato de vosso interesse.

Atenciosamente,

Square Enix América Latina”

A iniciativa da Square foi bem simples, mas ao mesmo tempo sensacional. Além de demostrar apoio aos gamers brasileiros que discordam da restrição no Vale-Cultura, a empresa adotou uma postura bastante digna no modo como se posicionou na questão. Seria muito bacana ver outras empresas do mesmo porte com atitudes similares, principalmente aqui, onde o mercado de jogos eletrônico é tão popular ao mesmo tempo em que é marginalizado por um estigma de ser só futilidade, além de ter sofrido muito com a pirataria e os jogos e consoles chegarem com preços absurdos.

O fato é que é possível fazer muito mais. Os videogames não são apenas, SIM, cultura, como também produtos de uma indústria que alavanca o desenvolvimento tecnológico e o conhecimento. O Brasil ainda tem muito terreno para explorar neste nicho, sendo que um pouquinho de colaboração do governo, sem base em pré-conceitos, cairia muito bem.

Pra encerrar, falando em Final Fantasy, reforço a mensagem da Square sobre o  videogame moleque, videogame-arte:

Como não achar que One-Winged Angel (FFVII) é cultura?

E a bela sequência da Yuna no ritual de Sending em Final Fantasy X?

E A ARTE INCRÍVEL DO YOSHITAKA AMANO?!
amanoFF6

Aproveito para fazer menção honrosa a dois jogos da Sony para Playstation 2 que, para mim, são exemplos de arte pura em videogames, tanto pelos conceitos quanto pela execução:

ICO

Shadow of the Colossus

Isso porque nem falei de jogos baseados em acontecimentos históricos, nas milhares de referências culturais que algumas produções carregam, nos roteiros que deixam no chinelo muitos filmes, nos jogos educativos, nos cosplays, fóruns de discussão, comunidades, eventos, nas competências técnicas e criativas necessárias para desenvolver um jogo…

 

E você, acha que videogame é cultura? Justifique nos comentários e dê exemplos de bons representantes desta veia cultural gamística!
Caso você concorde com a ministra Marta, seu comentário também é bem-vindo: justifique sua posição!

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  • Bruno Chagas

    O fato é que não há o que discutir: Jogos eletrônicos são um conteúdo de massa com milhares de adeptos, desenvolvidos como forma de expressão e entretenimento tanto quanto um filme, livro ou CD. Ou seja, cultura.

  • Fenix Souza

    Sou estudante de Publicidade e Propaganda, apaixonado por games desde sempre. Agora estou fazendo uma cadeira que relaciona games e cultura, o que acontece já desde o surgimento dessa indústria e além de uma cultura massificada, os games também fazem parte da cultura digital, a cultura do acesso, da interação a níveis nunca imaginados. Quero dizer que gostei muito do seu post e do posicionamento da Square Enix, digno de uma empresa do seu porte.