Social Media Week - Pais e Filhos

Na segunda-feira, começou em diversas cidades do mundo o Social Media Week, um dos maiores eventos que se propõem a debater os paradigmas da era digital no cotidiano de pessoas e empresas. O SMW vai do dia 19 a 23/09 e eu dei uma passada dia 20 na edição paulistana que ocorreu no Senac Santo Amaro.

A organização do evento se mostrou bem competente. Bom espaço, quase sem fila, van para levar e buscar de graça o pessoal até a estação de trem mais próxima… Só o wi-fi que deixou a desejar, mas relevemos pelo esmero geral. Cheguei tarde, lá pelas 19h40, e só peguei os dois últimos debates (=/). Posto abaixo uma breve impressão sobre eles. #Vamosacompanhar

O primeiro (na verdade, o penúltimo do dia), eu peguei depois da metade. Com o tema “Pais e filhos” a escritora, apresentadora e tuiteira Rosana Hermann dividiu o palco com sua filha, Anita Efraim, e também com Michel Lent e Denise Bazzan para falar sobre o impacto da internet no nosso cotidiano e nas relações familiares. Anita se mostrou bem sensata e coerente em sua estréia em um grande evento e eu concordei com bastante coisa. Dos assuntos abordados, destaco:

A privacidade somos nós: Vivemos em um mundo colaborativo, onde todos estão conectados, e surge a questão inevitável da privacidade. A despeito de toda exposição que Facebook e afins causem, é preciso lembrar que nós temos o

Social Media Week - Pais e Filhos

poder de filtrar isso, de usar estas mesmas ferramentas e seus recursos de modo mais consciente quanto ao compartilhamento.

Nem tudo que é pensado precisa ser postado: Bom senso quando se posta é onde tudo começa. Para evitar constrangimentos e dores de cabeça, ter a consciência do que compartilhar ou não é primordial. Diálogo e orientação familiar também fazem desse processo, de ambos os lados.

Don’t feed the trolls: Estar na internet, manter um blog e falar publicamente atrai, inevitavelmente, gente que só comenta pelo prazer de ver o circo pegar fogo. São os tais “trolls”. Para não se estressar à toa, é melhor entender que a internet tem dessas coisas e que o melhor caminho na maioria das vezes é não dar corda.

Ainda falta debate e orientação sobre internet na “grande mídia”: Rosana Hermann tocou em ponto que vale um debate maior: A mídia tradicional ainda não dá o espaço que deveria para falar sobre a internet, especialmente na televisão. Talvez por uma questão do tabu antigo de uma mídia derrubando outra, são poucos os programas que falam sobre o assunto, que procuram informar e orientar o espectador sobre a realidade de um mundo digital.

Depois deste papo-papo, rolou o “Todos os Donos”, com representantes das áreas de PP, RP, branding, SAC e RH, que discutiram as mudanças das corporações e a construção de marcas na era das mídias sociais e de clientes cada vez mais exigentes.

Participaram Sergio Valente (DM9DDB), Ricardo Guimarães (Thymus), Fabio Marão (Azul), Fabio Tadashi (Vivo), Eduardo Vieira (Ideal) e Maurício Moreira (Grupo TV1). A excelente conversa levantou pontos de certa forma básicos, mas extremamente relevantes para a gestão moderna e apresentados de forma única por quem vivencia isso no dia a dia:

 

Não adianta fugir, você já está na internet: A pergunta que as grandes empresas precisam se fazer e fazer para seu departamento de marketing, agencia ou consultor não é “como eu entro na internet?”, mas como utilizar essa presença a seu favor. Querendo ou não a marca já está na web, sendo discutida por colaboradores e clientes, seja no Twitter, em comunidades do Orkut, blogs, etc. O ponto é trabalhar a construção da marca onde tanto ela quanto seu público naturalmente já estão.

Social Media Week - Todos os Donos

Uma voz e muitas: Uma marca não possui apenas a voz de um departamento de marketing ou comunicação. Atendentes, a tia que cuida da limpeza, o presidente, o call center e até mesmo os próprios clientes, que podem falar contra ou a favor, são vozes ativas. Para a empresa, cabe incutir entre seus colabores o DNA corporativo, os valores que a marca carrega. Saliento aí que, independente desta diversidade, a comunicação, seja em mídias sociais, mídia impressa e etc, necessita manter uma coerência de diálogo e de postura. Senão posicionamento e coesão não existem.

 Orientação e processos: A transmissão do DNA da empresa depende também de como ela expressa sua cultura interna e direciona os colaborados. Construção de marcas não acontece sozinha, é preciso de um norte e valores claros.

Constante desenvolvimento: A construção de marcas é algo que acontece no dia a dia, em cada contato com o cliente. É preciso acompanhar e entender o público-alvo para se ajustar e entregar diferencial.

Relevância é o critério: O quanto algo é relevante para você  determina o quanto você dá ouvidos a um assunto, se acompanha ou não e se assimila ou não a mensagem. Isso é algo primordial, independente de tecnologia e não só no marketing como nas nossas relações pessoais. Em uma época cada vez mais cacofônica, em que todos falam, o “Índice de Relevância” de uma marca é, mais do que nunca, o fator de sobrevivência.

 

Ferramenta não, comportamento: Este talvez tenha sido o ponto alto da conversa. Os sites de relacionamento, as técnicas de otimização, e linguagens que hoje são padrão vão, naturalmente, cair e serem substituídos. A única constante é o ser humano. O foco, antes de tudo, deve ser entender o comportamento do consumidor, acompanhá-lo, e só a partir daí relacionar-se com ele onde quer que ele esteja. Óbvio que é necessário dominar as ferramentas, mas elas são apenas isso. Inúteis sem o emprego correto.

Bom, na volta, peguei carona na van do SMW até a estação Jurubatuba. O carro tinha uma TV e estavam todos calados, assistindo Fina Estampa na Globo. Só posso dizer que não aguentaria acompanhá-la todo dia.