Um assunto recorrente em sala durante meus quatro anos como aluno na faculdade de jornalismo foi a discussão sobre a postura ética da imprensa na cobertura de tragédias como assassinatos e suicídios. Até que ponto é certo divulgar e mesmo colocar imagens?

Lembro de quando eu tinha uns 12 anos e vi, se não me engano no Brasil Urgente, em uma daquelas reportagens exageradas, o cadáver de uma mulher sendo retirado pela polícia de um buraco. Pensei no exagero de manterem o link no ar até que tal cena fosse exibida. “Por que estão mostrando uma imagem pesada dessas?”.

Descuido da produção neste caso não passa de uma desculpa esfarrapada, uma vez que a policia estava lá para fazer exatamente isso, retirar um corpo. Não bastasse o apelo cruel da veiculação de uma “notícia” assim, era preciso estender a ponto de exibir uma imagem dessas? Eu me recordo bem do apresentador falando do descuido e se desculpando. Isso não muda, no entanto, o caráter apelativo deste perfil de programa e nem o questionamento que coisas assim trazem.

Mas o que me levou a escrever este post não foi uma lembrança de quase dez anos, muito menos alguma necessidade de “meter o pau” no “jornalismo tragédia”. Na madrugada de sexta para sábado eu assisti a uma reportagem no Jornal da Globo sobre um homem que assassinou com nove tiros a ex-mulher, uma cabeleireira, no trabalho da mesma. A câmera do local filmou tudo. Chegaram a exibir um trecho gravação: O homem chegando ao salão e apontando a arma para a mulher.

Zapeando, vi a mesma notícia sendo exibida no canal Record News. A diferença é que em vez de apenas um trecho, o VT da Record exibia a cena na íntegra – Um homem atirando friamente na ex-esposa. Imediatamente, me veio à cabeça as tais aulas que, por bom senso, já não eram novidade para mim. Qual é a razão de exibir a gravação de uma pessoa matando outra, ainda mais em um programa jornalístico que tem (ou deveria) uma postura menos “marrom” que um Cidade Alerta da vida? Se mostrar um trecho já é questionável, que dirá a coisa toda.

Eu não sou um jornalista com vivência profunda na área. Sou só um recém formado com sonhos utópicos e incertezas, que precisa ainda comer muito, mas muito, feijão com arroz. Mas tenho certeza que a função do jornalismo (e aí é preciso pegar a visão romântica mesmo) é informar população de modo a prestar um serviço público que contribua com o senso crítico, conscientização e atenda ao próprio direito à notícia. Mas isso passa, evidentemente, por preceitos éticos calcados no respeito e no bom senso. Onde estão estes preceitos em exibir a imagem de uma pessoa assassinada ou de um marido disparando contra a própria mulher pelo motivo imbecil que for?

A discussão sobre isso vai longe, mas posso afirmar com certeza que “bom jornalismo” não se encaixa em situações como esta do vídeo. Ao mesmo tempo, pode ser fútil ou inútil (escolha à vontade) questionar tais coisas, visto que parecem estar banalizadas. Eu prefiro, de qualquer modo, continuar com minha visão romântica enquanto ela puder durar e tentar não repetir os erros que vejo.

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