sorteio

Concurso Cultural nas mídias sociais é só fazer um sorteio e pronto. Errado!No dia 24 deste mês, participei do workshop Aspectos Legais sobre Ações Promocionais, Publicidade e Redes Sociais, realizado pelo Baptista Luz, Gimenez & Freitas Advogados. Apresentado pela Dra. Maria Marta Lisboa, foi o melhor evento que já participei sobre o assunto: Com um conteúdo esclarecedor, todas as dúvidas dos participantes foram tiradas. De quebra, os presentes também receberam o folder (muito bem impresso) com informações sobre Concurso Cultural, Promoções e Diretrizes em Redes Sociais e Projetos de Lei.

Abordo aqui a questão do Concurso Cultural, pois percebo que muitos profissionais do meio digital estão fazendo de maneira errada este tipo de ação nas mídias sociais. Grande parte sabe que está fazendo errado, mas diz: “Todo mundo faz e não acontece nada!…” – Aí que está o perigo!

A definição sobre “concurso cultural” dada na apresentação da Dra. Marta: Trata-se de ações de marketing que promovem concursos literários, cinematográficos, provas esportivas, ou gincanas, destinados a premiar talentos, sendo que a seleção do vencedor se dá por mérito e não por sorte. O objetivo deste concurso é enaltecer a essência da marca da empresa organizadora, mas sem finalidade comercial, publicitária, ou de propaganda.

Também não pode haver custo para o participante. A propaganda deve ser do concurso e não com foco na marca. No regulamento, não se pode esquecer: forma de participação, critérios de avaliação, período de participação, data de divulgação dos resultados e descrição detalhada dos prêmios. As condições do regulamento devem ser rigorosamente seguidas e a única alteração possível em pleno andamento da campanha é a prorrogação do prazo, com ampla divulgação.

Mas espera aí…: “Então no concurso cultural não posso mencionar a marca ou produto? Assim não dá para fazer branding! Como não vi ninguém ser autuado, irei fazer de qualquer jeito!”. – Bem, realmente é difícil empresas pequenas serem autuadas. Mas se isso ocorrer, no caso de fiscalização da Caixa, a empresa organizadora poderá ser penalizada em multa no valor total dos prêmios distribuídos e/ou a proibição de fazer promoções por 2 anos.

Este tipo de autuação já ocorreu com a L’oreal e com a Capricho. No caso da Capricho, foi usado o Sorteie.me em um concurso. Este aplicativo não pode ser usado de maneira alguma, pois não é reconhecida pelo Twitter e não tem comprovação de ser um sistema seguro.

O quesito sorte não deve ser usado em concurso cultural, mas algumas mecânicas muito comuns de serem vistas são associadas a propaganda e sorte, como rankings de pontuação, subordinação da participação ao uso prévio de qualquer produto ou serviço oferecido pela empresa organizadora, mesmo, por exemplo, curtindo uma fanpage, premiação aos primeiros participantes que acessarem o site do concurso ou prêmio para os primeiros que curtirem ou twittarem algo.

Fazer promoções em mídias sociais é coisa séria. Não deve ser considerado de modo simplório um tipo de marketing gratuito e fácil para alavancar vendas ou divulgar à marca. É sempre importante realizar planejamento de marketing com muita antecedência do dia da divulgação da ação e sempre consultando o setor jurídico para saber se viola alguma lei, pois como em todas as situações na advocacia: todo caso, depende.

Também é necessário fazer um print screen das páginas do concurso, juntar documentos e comprovantes de entrega de prêmios e guardar no mínimo por 3 anos, e muito bem arquivado. Se a empresa possui budget, é aconselhável que realize promoções e concursos comerciais autorizadas, cujo levantamento de documentações junto ao advogado e a autorização deve ocorrer entre 40 à 120 dias antes do lançamento da ação. Com essa autorização, o nome da marca, dos produtos e a mecânica podem ser muito bem explorados e aproveitados.

No Brasil, ainda não há uma lei séria sobre a internet, mas as redes sociais já faz parte de nossas vidas e todos já possuem uma reputação digital. Casos como da atriz Carolina Dieckmann, que teve fotos íntimas divulgadas pela web, faz com que uma lei sobre a internet seja definida logo. Não porque a prejudicada é uma atriz global, mas sim pela repercussão que gerou e que pode ocorrer com qualquer um e para corrigir pensamento errôneo de que tudo o que colocarmos na internet será de domínio público, sem responsabilidades.

Há projetos de lei relacionada à internet no Senado esperando aprovação, como o proposto pela Comissão de Juristas para Atualização do Código de Defesa do Consumidor e o projeto de Lei Marco Civil na Internet..

Fique atento nas ações de marketing que você faz, para daqui nos anos seguintes, não ser autuado por uma coisa que você não deu a devida importância hoje.

  • http://www.facebook.com/andre.silva.batista Andre Batista

    muito boa matéria. Mas tem bastante empresas sendo atuadas, sim, porém não é divulgado. E isso depende de denúncia também.

    • http://www.rodmoraes.com.br/ Rod Moraes

      Verdade Andre. Neste workshop soube de uma grande marca que foi autuada por sorteio na mídias sociais e só soube neste workshop mesmo, pois até então não tinha ouvido falar. Então, é melhor a gente fazer a nossa parte da maneira correta. Obrigado pela sua visita e por ter gostado desta matéria =D Abraço.

  • Guest

    Olá! Para quem
    possa interessar, existe um aplicativo que já vem com as informações das regras
    do Facebook no rodapé e além disso compartilha automaticamente no mural de
    todos os participantes no momento que eles se inscrevem. Caso queiram dar uma
    olhada este é o site : Wishpond

    Espero ajudar
    quem esteja procurando aplicativos para realizar ações no Facebook.

    Abraços

  • Juliana

    Olá! Para quem
    possa interessar, existe um aplicativo que já vem com as informações das regras
    do Facebook no rodapé e além disso compartilha automaticamente no mural de
    todos os participantes no momento que eles se inscrevem. Caso queiram dar uma
    olhada este é o site : http://www.wishpond.com

    Espero ajudar
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    Abraços